SANTIAGO: DO SONHO AO ABRAÇO

Neste privilegiado campo das estrelas, foram muitos esses momentos que os reproduzo agora abraçando os seus registros...

no encontro com o grupo de peregrinos do Rio de Janeiro, festivos abraços.
 

Lira, Maria Inês, Solange, Clô, eu e Selma.

Aqui eu registro o mesmo grupo com Clinete.

De repente o inesperado encontro com o amigo alemão Dieter que nos presenteou com pequenas vieiras dedicadas.

e com o mascarado musicista tocando música popular brasileira

não resisti, fui cantar e Clô fotografou.

A cada momento dos três dias passados em Compostela vivenciei o espírito desta mensagem dos Portais de Ricardo Mendes: 3

".. interagir com o Caminho... receber o que ele tem para dar. Deixar por lá o que não faz mais sentido carregar. Experimentar leveza. Voar, rir, correr, cantar, admirar a natureza. Desenvolver dentro de si um sentimento de gratidão por participar desta magnífica experiência de estar vivo neste momento. Aproveitar ao máximo o limite da impermanência. E por uma fração de tempo, sentir-se feliz..."

À noite, com uma deliciosa paella regada a vinho, o trio comemora.

E de passagem também pelo encontro com o grupo de brasileiros e estrangeiros,

divertindo-nos com as brincadeiras de Wagner, o bom humor e a folia nele corporificados durante toda a caminhada, aqui acompanhado pelo alemão Roland,

o trio com Mae e Vlad,

Isabel e Clô,

eu e Isabel.

E no dia seguinte mais festa percorrendo o centro antigo, apesar da chuvinha esfriando  fomos apreciando as suas estreitas ruelas de traços medievais,

suas românticas fachadas até um novo festivo encontro com as brasileiras.

Um desfile de carros antigos pela calle central,que até poso como fã de um que passa.

Porta do Perdão

 

A beleza de um jardim florido

Rodopiamos pela cidadela, retornamos à Catedral, a praça é um ponto recorrente, e nós sempre voltando, parecia que não desejávamos despedida. A foto cedida por Clô é simbólica dos passos pela Praça.

Na calle estreita o bar recanto para tapas e vinho, as Àguas de Souzas e o retorno à Praça do Obradoiro.

Tanto foi assim que, após o jantar desta noite, já sem Isabel que voara em despedida para a Itália, pré-celebrando o aniversário de Clô no dia seguinte, 10/10, encontramos amigos (as),

porém, na saída, brindando a chuva que caía, resolvemos voltar à praça... e Clô solta a brincadeira, que merece ser recordada porque gerou gargalhadas incontroláveis... vamos, mas Santiago há de dizer... com toda essa chuva só podem ser aquelas duas brasileñas amalucadas com vino en las cabezas...

Em uma dessas idas o som de cantoria se espalhava, o Grupo local das Tunas Compostelanas apresentava-se aos passantes na área aberta mas coberta do Paço de Raxoi, construção antiga em frente à Catedral, e impossível não sermos envolvidas.

O Paço de Raxoi  é um edifício civil de Santiago de Compostela em estilo neoclássico. Tem este nome em honra ao arcebispo Bartolomé de Rajoy, que foi o principal impulsionador da construção.

Tunas são grupos de universitários cantantes e instrumentistas.

Há quem afirme e defenda que os tunos já possuem canto próprio à natureza deles.

E não só cantam e tocam mas dançam convidando ouvintes,

e eu, chegando mais perto ainda, recebo nos ombros parte da capa das tunas compostelanas,

e atendo a insistência do simpático, aqui seria um nosso camelô, a pedir ser fotografado.

É a figura simples, espontânea, alegre, despojada de falsos limites, que escolho para dar início ao fim deste relato. A face de um verdadeiro peregrino destes meus escritos.

Também tento relembrar  Anjos, todos e todas que atravessaram ou acompanharam este meu Caminho e, mais uma entre tantas lindas fotos de Clô disponibilizadas para este relato, é aquela com a qual, saudosa, os (as) representarei, mostrando escultura do Caminho Norte para Compostela. A escultura del Angel Exterminador, em COMILLAS/Espanha, conforme intitulou a obra o seu Autor, o catalão Josep Llimona,  entendendo-se como exterminador o Anjo anulador de todo mal. Lo más llamativo y conocido de este recinto es la extraordinaria obra escultórica del artista catalán titulada el Angel Exterminador

.

El Camino é repleto de símbolos. Dois dos meus, em razão da chuva dadivosa, não foram jogados ao mar como manda a tradição, porque não fui até Finisterre. Estão aqui, ao meu lado, meu cajado e minha vieira presenteados por Pablito de Ásketa, e ambos amparam meu boné, enfeitado por lembranças de recantos por onde passei.

 

Iniciando o até mais ver

Começam os gestos, não de adeus, mas de até mais ver, na Praça de Obradoiro a despedida só poderia ser noturna, as luzes iluminando as lágrimas que já rolavam.

Depois a acomodação do que foi, no decorrer da caminhada, guardado pela mochila e mais os mimos; as fotos são mais para registrar o recanto do aconchego e do repouso que, jamais vou esquecer, acomodou três camas.

Clô repousa sorrindo e os cajados descansam aquecidos.

A organização dos pertences na outra cama.

Busco, ainda, em outra foto da Peregrina Clotilde, a simbologia dos tantos adeuses dados no Caminho... no momento de finalização dos nossos, na estação ferroviária ela se dirigia para Ponteverda, eu ia para o Porto em terras lusitanas, para um outro divino encontro no Santuário de Fátima que pede outro relato... e nossas mochilas e nossos cajados parece que conversavam à despedida e, talvez, combinavam um reencontro noutra caminhada.

A recepção que recebi dos meus ao repisar no meu chão não podia ter sido mais calorosa do que foi. Subiram a serra num micro ônibus levando queridos (as) amigos (as) para o afago conjunto e brindado. 

Quero ainda dizer, nestes meus escritos eu tentei trilhar o Caminho com suas encruzilhadas, com seus atalhos e construir a ponte entre o imaginário e o real, entre o sonhado e o realizado. Procuro, ao estendê-lo para o Caminho da Vida, pensar na fortaleza das tantas corajosas muralhas, das tantas pedras a desviar para alcançar o alto das montanhas a serem vencidas, de vieiras como um grande abraço a sempre compartilhar o pão, de muitas cabaças saciando a sede de justiça, de muitas mantas a agasalhar contra o frio da falta de emoções e sentimentos bons, de todos os cajados a amparar os passos na trilha do bem.  E que eu alcance a realização de todo esse possível e seja ponte entre os seres na terra, como tantos e tantas foram para mim nesta inesquecível caminhada. É o que também ainda peço, querido Santiago!!! E penso ser possível porque conto com o Amor em conclusão da escrita para mim, transcrita abaixo,  e essencial para a realização desta jornada.

"Amor, que Deus nos acompanhe com você, e que cante e seja muito feliz, escreva uma linda história, reescreva as belezas do universo e saia renovada da santa empreitada, pronta para continuar cantando as esperanças que farão ecoar entre nós. Um beijo especial para você, renovado a cada dia, a cada noite, a cada minuto. Do seu Luiz, de todos nós, dos que a amam e torcem por você."

A frase com a qual fui recebida no meu albergue sintetiza


 

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Livros e citações:

1. Caminho de Santiago a Compostela. Portal do Peregrino - www.caminhodesantiago.com/

2. Santiago de Compostela. Página no Google
pt.wikipedia.org/wiki/

3. Mendes, Ricardo. Santiago de Compostela: os 8 portais do Caminho" Axcel Books do Brasil Editora. RJ 2002

4. Guia El PaísAguilar: El Camino de Santiago a Pie

 

 

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